A utilização de fitas para backup é essencial quando falamos de ambientes críticos.
Backups em disco são rápidos e eficientes, porem não podem ser movidos de um local para outro sem que a integridade do backup seja afetada. Já as fitas podem ser transportadas e guardadas em locais protegidos sem necessidade de terem continuidade.
A politica de retenção “long-term” funciona como o diagrama abaixo demonstra:



Apesar de ser possível fazer backups apenas em fitas, não é recomendável pelo valor e quantidade de fitas necessárias para termos uma retenção satisfatória, com pouca perda de dados na sincroniza e com boa performance no caso de uma restauração parcial de dados.
Sendo assim, vamos abordar detalhes e algumas dicas de como utilizar o backup em fita de forma satisfatória.

Parte I – Utilizando backups em fita

No DPM temos o backup “short-term” que é realizado em disco e o backup “long-term” que é em fitas.
Para habilitar é necessário primeiro que o DPM reconheça a unidade, como mostrado na imagem abaixo:


Note que no exemplo acima estamos tratando de um robô de fitas com capacidade para 23 LTOs 3/4 no carrossel.
Após reconhecer a unidade no grupo de proteção irá habilitar a opção de backups “long-term”, como abaixo:
  
Ao escolher que deseja fazer o backup “long-term” poderá escolher o período de retenção do backup em fita, sua frequência e o agendamento do backup:

  
Preste atenção ao campo Retention Range, pois ele indica o tempo em que o backup ficará como ativo na fita, impossibilitando que ela seja utilizada novamente até que o período do último backup na mesma fita se complete, a menos que se faça o “Clear” na fita, que é lento. Veja mais sobre isso ao final deste artigo.
Neste ponto é possível escolher os backups para offsite, ou seja, aqueles backups necessários para serem arquivados fora da empresa, normalmente em cofres. Para isso clique em Customize e terá acesso a tela abaixo:
  
Esta funcionalidade é nova no DPM 2012, pois no DPM 2010 só era possível criar uma réplica do backup, o que tornava o DPM complexo para utilizar em grandes ambientes com exigências de backups em diferentes períodos (Grandfather-Father-Son), onde no exemplo acima a configuração cria o backup semanal e mensal em cópias que podem ser retiradas. As fitas que poderão ser retiradas são as que aparecem na lista de tapes com a opção “offsite” com um check de OK.
Note que o período de retenção precisa ser combinado corretamente com o agendamento do backup em fita definido no agendamento em “Backup Schedule” clicando no botão Modify e tendo acesso as opções abaixo:
  
Se na opção anteriormente mostrada fosse configurado backups offsite semanal e no agendamento acima for mensal, obviamente que os backups offsite não funcionariam corretamente.
Por fim, escolha em qual dos drives (quando múltiplos) deseja que o backup seja feito e se deseja criptografar e comprimir, lembrando que não é possível combinar os dois métodos:
  

Parte II – Gerenciando unidades de fita e robôs

O gerenciamento de fitas no DPM é relativamente simples, mas importante para as atividades, principalmente quando falamos de robôs com co-location habilitado.
Inicialmente, na imagem abaixo vemos um robo de fitas, a TL2000 da Dell que utiliza o drive 3573 da IBM.
Note que temos uma unidade de fita e um carrossel de 24 slots (o primeiro está carregado no drive) e cada fita tem um barcode e label indicando sua utilização.



  • Status – Obviamente indica se a fita está livre ou disponível. É importante que este campo só mostre se a fita está vazia, disponível para uso ou danificada, porém o estado disponível (Tape available) não indica que a fita está livre ou vazia, apenas que a fita não está com problemas.
  • Tape Label – O DPM utiliza este campo para indicar o que está dentro da fita, no caso utilizando o nome do grupo de proteção mais um código sequencial como indicativo visual para o administrador de backup. O estado Free obviamente indica que a fita não contém dados ou que estes já expiraram, conforme a politica de retenção long-term do grupo de proteção.
  • Barcode – Indicador único de cada fita, o barcode lhe permite identificar a fita, mas não permite fidelizar, o que é uma limitação do DPM que muitos criticam. Porem é importante notar que o próprio DPM gerencia isto automaticamente, principalmente em robôs.
  • Offisite Ready – Indica que a fita está com o backup. Nos casos em que o co-location estiver habilitado e existe o robô este dado pode não ficar disponível por deixar a fita à espera de outros backups, porem nos casos de tape drives sem robô este dado indicaria que aquela fita já foi usada para o backup e que deve ser tirada, e quando o co-location estiver habilitado que a fita já está cheia e não é possível continuar a utilizá-la.
O que é o Co-location?
Esta opção permite ao DPM utilizar melhor as fitas por combinar backups. Por exemplo, uma fita LTO-3 pode ser de 800GB e o backup dos dados utilizar apenas 200GB, assim o restante da fita acomodaria outros conjuntos de backup e otimizamos a necessidade de mais fitas.
No DPM 2007 e 2010 era necessário utilizar um comando em PowerShell para habilitar este recurso e todas as fitas passavam a permitir o compartilhamento, o que era ruim quando um backup antigo ficava expirado e outros backups menores ainda válidos não permitem que a fita se torne disponível para outros backups.
No DPM 2012 é possível indicar o co-location por grupo de proteção, ou seja, agora eu posso deixar os backups maiores e com menor retenção fora do compartilhamento de fita para não gerar o problema da fita que nunca expira:

Quando usar o Co-location?
Nos casos de não haver robô, apenas a unidade de fita, esta opção irá ajudá-lo por permitir que uma mesma fita contenha múltiplos backup.
Por outro o lado o co-location pode atrapalhar quando um dos backups não estiver expirado e a fita ficar cheia. Por exemplo, imagine que a mesma fita arquivou backup do servidor de arquivos e do SQL Server por 3 ciclos de retenção (1 mês com backups a cada 7 dias). Esta fita encheu e como os dois primeiros backups estão expirados e o ultimo ciclo não, a fita não ficará livre e não pode ser reutilizada até que o terceiro expire.
Por outro lado, se você possui o robô, este utilizará a fita até o final com vários conjuntos de backups e passará para a próxima fita ao final.
Operações com Fitas
O menu abaixo mostra as opções que podem ser utilizadas com as fitas:

    • Inventory Library –Esta opção faz a leitura de todas as fitas no carrossel ou a fita que está no drive caso seja único. Em casos em que uma fita aparece nos alertas como “suspect” ou “unreadable” esta opção resolve o problema por reinventaria todas as fitas
    • Rescan e Refresh – Utilizadas para o DPM reconhecer novas unidades de fita (tape drives)
    • Optimize Usage – Permite definir o compartilhamento (co-location) dos grupos de proteção
    • Remove (I/E port) – Abrem a porta do tape para retirada ou colocar novos tapes
    • Identify – Quando uma fita estiver como desconhecida (unknown) esta opção faz a leitura da fita
    • View Tape Contents – Retorna o catalogo da fita, com os backups que ela contém e a data de expiração
    • Erase Tape – Deleta os dados de uma fita, útil quando ela ainda contem dados que não expiraram
    • Mark Tape as Free – Estas opções indicam que a fita está livre ou não, sendo que neste ultimo caso é útil para quando se deseja guardar permanentemente o backup


Parte III – Planejando a politica de retenção em fitas

Como abordado na primeira parte é necessário escolher algumas opções ao criar o grupo de proteção e utilizar a opção “Long-term”.

A primeira opção Retention Range indica qual o tempo de retenção ou expiração do backup. Esta opção é importante ao ser planejada, pois se este tempo for alto indica o numero de fitas que precisam ser utilizadas, já que como abordado na parte II, a fita só pode ser reutilizada quando este período terminar.
A opção Backup Schedule obviamente indica quando o backup será executado na janela de retenção.
Quantas fitas (tapes) são necessárias?
Utilizando o backup acima como exemplo, precisaríamos de 7 fitas. O motivo é que o backup é semanal realizado aos sábados e o mensal no primeiro dia, portanto seriam 4 semanais e mais uma no primeiro dia de cada mês por 3 meses, totalizando as 7 fitas.
Lembrando que será necessária uma fita a mais do que o período indicado para ser possível realizar o rodizio, além das fitas que forem transferidas para cofre e não serão reutilizadas no ciclo.
Utilizando o Co-location não diminuo o numero de fitas?
Sim e muito, principalmente se os grupos de proteção forem menores que 400/800GB da fita LTO-3, por exemplo, já que diversos backups poderão estar contidos em uma única fita.
O problema do co-location é o fato do gerenciamento ser manual. No exemplo da pergunta anterior poderá existir uma rotina de backup onde o operador em um horário determinado irá trocar a fita.
Quanto o co-location está ligado é necessário ficar manualmente olhando o quanto da fita está livre para fazer a troca, além do co-location acabar misturando backups de grupos de proteção diferentes na mesma fita, o que torna mais complexo o arquivamento em cofre ou outra forma persistente.
Exemplos com politica de retenção em cofre
Vamos fazer um exemplo de uma empresa com 3 grupos de proteção, o que é comum. Levaremos em conta que o arquivamento mensal será permanente:
    • Grupo 1 – File Server com backup diário (seg-sex), retenção semanal e arquivamento mensal
    • Grupo 2 – Exchange com backup diário (todos os dias), retenção semanal e arquivamento semanal/mensal
    • Grupo 3 – SQL Server com backup diário (todos os dias), retenção semanal e arquivamento semanal/mensal
Para o grupo 1 precisaríamos anualmente de 12 fitas permanentes mais 6 rotativas:
    • 5 fitas para os backups diários
    • 1 fita para fechar o ciclo semanal
    • 12 fitas para os backups mensais que são o ultimo semanal do mês, que será arquivada
Como o grupo 2 e 3 são similares seriam necessárias anualmente 56 fitas permanentes e 7 rotativas que ao longo do
    • 7 fitas para os backups diários
    • A ultima fita de backup diário na semana será a fita semanal, portanto 4 fitas por mês que serão arquivadas
    • A fita de backup mensal é a última fita do semanal, que será arquivada
Se o mesmo grupo 2 e 3 não exijam que o backup das semanas anteriores sejam guardados ao terminar o mensal teríamos a redução de 3 fitas ao mês o que somaria 12 fitas permanentes, 3 rotativas semanais e 7 rotativas diárias:
    • 7 fitas para os backups diários
    • A ultima fita de backup diário na semana será a fita semanal, portanto 4 fitas por mês que serão arquivadas
    • A fita de backup mensal é a última fita do semanal, que será arquivada dispensando as 3 anteriores para rodizio